Presidente José Eduardo dos Santos recebe Antoine Nzita da Flec
Antoine Nzita, responsável de uma facção da FLEC, foi recebido na segunda-feira, 16 de Fevreiro, pelo presidente angolano José Eduardo dos Santos. Nzita Tiago não reconhece legitimidade da iniciativa.
Antoine Nzita, filho de Nzita Henriques Tiago presidente da FLEC, foi um dos elementos mais influentes no seio da resistência, frequentemente acusado de pretender suceder o seu pai na presidência da FLEC entrou em conflito com Joel Batila, ex responsável das relações exteriores. Após várias discussões nas representações europeias sobre a estratégia a seguir pelo movimento a ruptura surge quando Antoine Nzita desloca-se a Washington em nome da FLEC mas sem o conhecimento dos órgãos directivos do movimento. Foi exonerado das suas funções e afastado do movimento em 2007, juntamente com quatro elementos que passam a ser designados como o «Grupo dos Cinco».
Rejeitando a validade da reunião do Nkoto Likanda (Assembleia do povo de Cabinda) em Paris que o exonerou, Antoine Nzita tenta desenvolver um projecto onde defende a continuidade dos estatutos da FLEC de 1963. Contrariamente às suas expectativas as chefias militares da resistência em Cabinda rejeitam a sua facção, reiteram fidelidade a Nzita Tiago condenando contudo as decisões do Nkoto Likanda de 2007. Acentuando o isolamento de Antoine Nzita, Estanislau Miguel Boma, Chefe de estado-maior da FLEC afirma numa entrevista à PNN que «Antoine Nzita e o seu grupo não têm qualquer legitimidade de falar em nome dos guerrilheiros».
Apenas rodeado pelos quatro membros expulsos do movimento, Virginie Mouanda, Xavier Builo, André Quinta e Jacques Geskes, decide prosseguir com a sua estratégia que visa as negociações directas com Angola, declara que a FLEC abandona a luta armada e opta por a solução pacífica do conflito, permanecendo contudo marginal às orientações políticas e militares do movimento.
Juntamente com André Kuango, actual coordenador do FCD, foi um dos principais promotores da reunião intercabindesa na Holanda em 2004, que resultou na fusão da FLEC/FAC e FLEC Renovada. Rejeitou a legitimidade de António Bento Bembe na assinatura dos Acordos do Namibe, Agosto 2006, e defende que Angola deve renegociar os acordos relativos a Cabinda.
Contactado pela PNN Nzita Tiago rejeita qualquer legitimidade de Antoine Nzita no estabelecimento de contactos com o Governo angolano e considera que José Eduardo dos Santos está a «rebaixar-se» recebendo pessoas sem qualquer função ou mandato. Nzita Tiago lembra que nunca recebeu qualquer resposta às cartas enviadas a José Eduardo dos Santos onde apelava ao diálogo e a negociações.
O encontro de Antoine Nzita com José Eduardo dos Santos tem mais um impacto simbólico mediático que de real avanço político na questão cabindesa mas está enquadro na sua politica pessoal de abandono da luta armada.
Após a morte de Ranque Franque, que optara por se instalar em Luanda, Nzita Tiago e António Sozinho, refugiado na Republica Democrática do Congo, são os mais destacados fundadores vivos da Frente de Libertação do Enclave de Cabinda (FLEC).
A PNN apurou que após a deslocação de António Sozinho a Cabinda onde participou nas comemorações da assinatura do Tratado de Simulambuco e do 4 de Fevereiro, a convite do Governo angolano, decidiu regressar definitivamente a Cabinda com a família onde o Governo provincial já providenciou duas residências.
Rui Neumann
PNN Portuguese